SEXTILHAS
Amo o cantor solitário
Que choro no campanário
Do mosteiro abandondo,
E a trepadeira espinhosa
Que se abraça caprichosa
A força do condenado
Amo os noturnos lampírios.
Que giram, errantes círios,
Sobre o chão dos cemiterios,
E ao clarão de tredas luzes
Fazem destacar as cruzes
De seu fundo de mistério.
Amo as tímidas aranhas
Que, lacerando as entranhas,
Fabricam dourados fios,
E com seus leves tecidos
Dos tugúrios esquecidos
Cobram os muros sombrios.
Amo a largata que dorme,
Nojenta,lânguida, informe
Por entre as ervas rasteiras,
E as rãs que os pauis habitam,
E os moluscos que palpitam
Sob as vagas alteneiras!
Amos-os, porque todo o mundo
Lhes vota um ódio profundo,
Despreza-os sem compaixão!
Porque todos desconhecem
As dores que eles padecem
No meio da criação!
MADRUGADA À BEIRA-MAR
O firmamento inteiro
Transborda de fulgores
Do sol aos esplendores,
De Deus ao vasto olhar:;
Esparsasno infinito
As nuvens cambiantes
Se espalham tríunfantes
Na face azul do mar.
A tribo das gaivotas,
Abrindo as assas leves,
Descreve giros breves
Das rochas ao redor:;
E além, na pria extensa,
Ao cântico das aves
Misturam-se as suaves
Canção do pescador.
Nas ondas transparentes,
D´aurora os brandos lumes
Pranteiam os cardumes
Dos vívidos peixinhos;
E os botes descuidosos,
Em prolongadas voltas,
Correm de velas soltas,
Nos páramos marinhos.
Contudo entre as belezas
Deste festim sublíme
Eu sinto que me oprime
Um íntimo pesar!
Porque não sou a concha
Que volve-se na praia?
E a espuma que desmaia?
A onda azul do mar?
Por que não tenho eu asas
Assim como andorinha,
Que se levanta asinha
E voa n´amplidão?
Se a inspiração procura
Ergue-me pelo espaço,
Um rijo, estreito laço
Me prende os pés no chão!
O Sol, que hoje fulgura
E as vagas ilumina,
De novo a luz divina
Derramará nos céus;
A madrugada esplêndida,
Nos dia de amanhã,
Virá bela e louçã
Quebrar da noite os véus.
Mais eu, ente maldito,
Da criação no meio,
Tenho no fragil seio
Martírios infernais:
Hoje reflito, sinto,
Mas amanhã, caído,
Do lado apodrecido
Não surgirei jamais!
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LAGRIMAS
Lagrimas me vêm aos olhos.Esforço-me para que não
rolem na face, e todos vejam a minha tristeza.
Não quero que saibam da minha decepção.
Antes, todos me viam feliz, rindo por todos os cantos.
A alegria transbordava nos meus gestos, pelo meu olhar,
nos meus muito sorrisos.Hoje, fujo de todos. Não quero
que me vejam, pois o sorriso fugiu dos meus lábios, a
tristeza inundou meu coração. A fonte da minha alegria
e foi. Você, que até pouco encantava minha vida, agora, é
a razão do meu desencanto. Por que você se foi e deixou
este grande vazio no meu peito? Uma frieza tão intensa que
congelou meu coração, endureceu o meu rosto
e emudeceu a minha voz. Sem forças para responder
gualquer coisa, ouvi
perplexa a dura sentença e contemplei atônica a sua ida.
Sou um vulto agora, a perambular pelos cantos, tentando
compreender a crueldade do seu gesto.
rolem na face, e todos vejam a minha tristeza.
Não quero que saibam da minha decepção.
Antes, todos me viam feliz, rindo por todos os cantos.
A alegria transbordava nos meus gestos, pelo meu olhar,
nos meus muito sorrisos.Hoje, fujo de todos. Não quero
que me vejam, pois o sorriso fugiu dos meus lábios, a
tristeza inundou meu coração. A fonte da minha alegria
e foi. Você, que até pouco encantava minha vida, agora, é
a razão do meu desencanto. Por que você se foi e deixou
este grande vazio no meu peito? Uma frieza tão intensa que
congelou meu coração, endureceu o meu rosto
e emudeceu a minha voz. Sem forças para responder
gualquer coisa, ouvi
perplexa a dura sentença e contemplei atônica a sua ida.
Sou um vulto agora, a perambular pelos cantos, tentando
compreender a crueldade do seu gesto.
REFLEXÇÃO
A VIDA PRESENTE
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida.
Olho meus companheiros, nutrem esperanças.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Vamos de mãos dadas.
Não serei cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer,
não fugirei para as ilhas,
nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria: o tempo presente,
os homens presentes, a vida presente.
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida.
Olho meus companheiros, nutrem esperanças.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Vamos de mãos dadas.
Não serei cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer,
não fugirei para as ilhas,
nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria: o tempo presente,
os homens presentes, a vida presente.
UM SOPRO DE VIDA
Não aguento muito tempo um sentimento
porque passo a ter angústia
e meu pensamento fica ocupado com o sentimento
e eu me desvencilho dele de qualquer jeito
para ganhar de novo a minha liberdade de espírito.
Sou livre para sentir. Quero ser livre para raciocinar.
Aspiro a uma fusão de corpo e alma.
Não consigo compreender para os outros.
Só na desordem de meus sentimentos é que compreendo
para mim mesma e é tão incompreensível o que eu sinto
que me calo e medito sobre o nada.
