POESIAS 03

                                         

                                                                     TRISTEZA

Minh´alma é como o deserto
De dúbia areia coberto,
Batido pelo tufão:
É como a rocha isolada,
Dos mares da  solidão.


Nem uma luz de esperança,
Nem um sopro de bonança,
Na fronte sinto passar!
Os invernos me despiram
E as ilusões que fugiram
Nunca mais hão de voltar!


Roem-me atrozes idéias,
A febre me queima as veias:
A vertigem me tortura!...
Oh! por Deus! quero dormir,
Deixa-me os braços abrir
Ao sono da sepultura!


Despem-me as matas frondosas,
Caem as flores mimosas
Da morte na palídez,
Tudo, tudo vai passando....
Mas eu pergunto chorando:
Quando virá minha vez?


Vem, ó virgem descorada,
Co´a frnte pálida oprnada


De cípreste funerário,
Vem! oh! quero nos meus braços
Cerrar-te em meigos abraços
Sobre o leito mortuário!


Vem, ó morte! a turba  imunda
Em sua miséria profunda
Te odeia, te calunia..
-Pobre noiva tão formosa
Que nos espera  amorosa
No termo da romaria.


Quero morrer, que este mundo
Com seu sarcasmo profundo
Mnchou-me de lodo e fiel,
Porque meu seio gastou-se,
Meu talento evaporou-se
Dos martírios ao tropel!


Quero morrer: não é crime
O fardo que me comprime
Dos ombros lançar ao  chão.
Do pó desprender-me rindo
E as assas brancas abrindo
Lançar-me pela amplidão!


Oh! quantas louras crianças
Coroadas de esperanças
Descem do campo à friez!...
Os vivos vão repousando;
Mas  eu pergunto chorando:
- Quando viá minha vez?


Minh´alma é triste, perdida,
Como a palmeira batida
Pela féria do tufão,
É como a praia que alveja,
Como a planta que viceja
Nos muros de uma prisão!



                SURPRESA                                               ILUSÃO                   

Chegou a bela estação                              Sinistro como um fúnebre segredo
Em que rebentam as flores,                       Passa o vento do Norte murmurando
Também no meu coração                                       Nos densos pinheirais:
Rebentam novos ardores.                          A noite é fria e triste, solitaria
                                                                 Atravesso a cavalo a sekva escura
                                                                              Entre sombras fatais.

Busquei minha caprivhosa                     
Na saia, alcova e cozinha:                           À medida que avança, os pensamentos
Foi colher alguma rosa                                Borbulham-me no cérebro, ferventes,
Talvez em lembrança minha.                                     Como as ondas do mar,
                                                                   E me arrastam consigo, akucinada,
                                                                   À casa da formosa criatura
--Pois bem, falei eu comigo,                                      Do meu doudo chamar.
Surpresa quiseste, amor?
Vou mostrar como consigo                        
Trazer a mais linda flor!                                Latem os cães, as portas se franqueiam
                                                                   Rangendo sobre os quícios:, os criados
                                                                                 Acodem pressurosos:
Corro, corro a largos passos,                       Subo ligeiro a longa escadaria,
Busco em vão um bogaril....                          Fazendo retinir minhas esporas
Mas ela voa a meus braços                                         Sobre os degraus lustrosos.
E diz alegre - "eis-me aqui"!
                                                                       
                                                                    No seu vasto salão  iluminado,
                                                                    Suavemente repousando o seio  
                                                                                  Entre sedas e flores,
                                                                    Toda de branco, engrinaldada a fronte,
                                                                    Ela me espera, a linda soberana  
                                                                                   De meus santos amores.


 











LAGRIMAS

Lagrimas me vêm aos olhos.Esforço-me para que não
rolem na face, e todos vejam a minha tristeza.
Não quero que saibam da minha decepção.
Antes, todos me viam feliz, rindo por todos os cantos.
A alegria transbordava nos meus gestos, pelo meu olhar,
nos meus muito sorrisos.Hoje, fujo de todos. Não quero
que me vejam, pois o sorriso fugiu dos meus lábios, a
tristeza inundou meu coração. A fonte da minha alegria
e foi. Você, que até pouco encantava minha vida, agora, é
a razão do meu desencanto. Por que você se foi e deixou
este grande vazio no meu peito? Uma frieza tão intensa que

congelou meu coração, endureceu o meu rosto
e emudeceu a minha voz. Sem forças para responder
gualquer coisa, ouvi
perplexa a dura sentença e contemplei atônica a sua ida.
Sou um vulto agora, a perambular pelos cantos, tentando
compreender a crueldade do seu gesto.


REFLEXÇÃO

A VIDA PRESENTE

Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida.

Olho meus companheiros, nutrem esperanças.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Vamos de mãos dadas.



Não serei cantor de uma mulher, de uma história,

não direi os suspiros ao anoitecer,

não fugirei para as ilhas,

nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria: o tempo presente,

os homens presentes, a vida presente.

UM SOPRO DE VIDA


Não aguento muito tempo um sentimento
porque passo a ter angústia
e meu pensamento fica ocupado com o sentimento
e eu me desvencilho dele de qualquer jeito
para ganhar de novo a minha liberdade de espírito.

Sou livre para sentir. Quero ser livre para raciocinar.
Aspiro a uma fusão de corpo e alma.

Não consigo compreender para os outros.

Só na desordem de meus sentimentos é que compreendo
para mim mesma e é tão incompreensível o que eu sinto
que me calo e medito sobre o nada.