TRISTEZA
Minh´alma é como o deserto
De dúbia areia coberto,
Batido pelo tufão:
É como a rocha isolada,
Dos mares da solidão.
Nem uma luz de esperança,
Nem um sopro de bonança,
Na fronte sinto passar!
Os invernos me despiram
E as ilusões que fugiram
Nunca mais hão de voltar!
Roem-me atrozes idéias,
A febre me queima as veias:
A vertigem me tortura!...
Oh! por Deus! quero dormir,
Deixa-me os braços abrir
Ao sono da sepultura!
Despem-me as matas frondosas,
Caem as flores mimosas
Da morte na palídez,
Tudo, tudo vai passando....
Mas eu pergunto chorando:
Vem, ó virgem descorada,
Co´a frnte pálida oprnada
De cípreste funerário,
Vem! oh! quero nos meus braços
Cerrar-te em meigos abraços
Sobre o leito mortuário!
Vem, ó morte! a turba imunda
Em sua miséria profunda
Te odeia, te calunia..
-Pobre noiva tão formosa
Que nos espera amorosa
No termo da romaria.
Quero morrer, que este mundo
Com seu sarcasmo profundo
Mnchou-me de lodo e fiel,
Porque meu seio gastou-se,
Meu talento evaporou-se
Dos martírios ao tropel!
Quero morrer: não é crime
O fardo que me comprime
Dos ombros lançar ao chão.
Do pó desprender-me rindo
E as assas brancas abrindo
Lançar-me pela amplidão!
Oh! quantas louras crianças
Coroadas de esperanças
Descem do campo à friez!...
Os vivos vão repousando;
Mas eu pergunto chorando:
- Quando viá minha vez?
Minh´alma é triste, perdida,
Como a palmeira batida
Pela féria do tufão,
É como a praia que alveja,
Como a planta que viceja
Nos muros de uma prisão!
SURPRESA ILUSÃO
Chegou a bela estação Sinistro como um fúnebre segredo
Em que rebentam as flores, Passa o vento do Norte murmurando
Também no meu coração Nos densos pinheirais:
Rebentam novos ardores. A noite é fria e triste, solitaria
Atravesso a cavalo a sekva escura
Entre sombras fatais.
Busquei minha caprivhosa
Na saia, alcova e cozinha: À medida que avança, os pensamentos
Foi colher alguma rosa Borbulham-me no cérebro, ferventes,
Talvez em lembrança minha. Como as ondas do mar,
E me arrastam consigo, akucinada,
À casa da formosa criatura
--Pois bem, falei eu comigo, Do meu doudo chamar.
Surpresa quiseste, amor?
Vou mostrar como consigo
Trazer a mais linda flor! Latem os cães, as portas se franqueiam
Rangendo sobre os quícios:, os criados
Acodem pressurosos:
Corro, corro a largos passos, Subo ligeiro a longa escadaria,
Busco em vão um bogaril.... Fazendo retinir minhas esporas
Mas ela voa a meus braços Sobre os degraus lustrosos.
E diz alegre - "eis-me aqui"!
No seu vasto salão iluminado,
Suavemente repousando o seio
Entre sedas e flores,
Toda de branco, engrinaldada a fronte,
Ela me espera, a linda soberana

