POESIAS 02

           O CAMINHO DO  SILÊNCIO


 Se eu pudesse voltar sobre ois meus passos,
 eu seguiria
 o caminho dos insensíveis.
  neste por onde  ando,
há somente a companhia,
quase sempre,
do ressoar dos meus passos.


É um caminho solitário
este popr onde ando
São poucos os caminhantes
que andam poe este caminho,
                                                                                    E quando nos alcançamos,
                                                                                    estamos tão distantes
                                                                                    na distancia do silêncio
                                                                                    que não podemos dizer o que pensamos.
 
        O caminho do que sentem
        é por demais solitário,
        Na paisagem sem palavras,
        Apenas passos ressoam
        na arides do pensamento.
        Mas talves eu caminhasse
        ainda mais solitário
       se eu sequisse o outro caminho.
       Já não sei que caminho eu sequiria 
       se eu pudesse voltar sobre os meus passos.

    
                                 

                                        SONETO

 
       Eu pensava na vida errante e vago
       Como o nauta perdido em noite escura,
       Mas tu  te ergueste peregrina e pura
       Como o cisne inspirado em manso lago,


       Beijava a onda num soluço mago
       Das moles plumas a brilhante alvura,
       E a voz ungida de eterna doçura     

       Roçava as nuvens em divino afego.        
      

       Vi-te, e nas chamas de fervor profunda
        A teus pés afoguei a mocidade
        Esquecida de mim,de Deus, do mundo!


        Mais ai! cedo fugiste!...da soidade,
        Hoje te imploro desse amor tão profundo
        Uma idéia,uma  queixa,uma saudade!


                                   
                                              

                                            DEIXA-ME

      
      Quando cansado da virgiília insana
       Declino a fronte n"um dormir profundo,
       Porque teu nome vem ferir-me o ouvido,
       Lembra-me o tempo que passei no mundo?


      Por que teuvulto se levanta airoso,
      Tremente em ânsias de volúpia infinda?
       E as formas nuas, e ofegantes o seio,
      No me retiro vens tentar-me ainda?


      Por que me falas de venturas longas,
      Por que me apontas um porvir de amores?
      E o lume me pedes à fogueira extinta,
      Doces perfumes a polutas flores?


      Não basra ainda essa existência escura,
      Página treda que a teus pés compus?
      Nem essas fundas, perenais angústias,
      Dias sem crenças e  serões sem luz?




      Não basta o quadro de meus verdes anos
      Manchado e roto, abandonadp ao pós?
      Neste  este  exílio, do rumor no centro,
      Onde pranteio desprezada e só?


     Ah! não me lembres do passado as cenas,
     Nem essa jura desprendida a esmo!  
     Guardaste a tua? a guantos outros, dize,
     A quantos outros não fizeste o mesmo?

  
    A  quantos outros,inda lábios quentes
    De ardentes beijos que eu te dera então,
    Não apertaaste no vazio seio
    Entre promessas  de eternal paixão?


    Oh! fui um  douda que segui  teus passos,
    Que dei-te em versos da beleza  a  palma;
    Mas tudo foi-se, e esse passado negro
    Por que sem pena me desperta n"alma?


    Deixa-me agora repousar tranguila,
    Deixa-me agora  dormitar  em paz,
    E com teus risos de infernal encanto
    Em meu retiiro não me tendes mais!



        

                                                                   O LAÇO DE FITA

                                                                 

Não sabes, criança? "Stou louco de amores...
Prendi meus afetos, formosa Pepita,
Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!
Não rias, prendi-me
            Num laço de fita.

Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabelos da moça bonita,
Fingindo a serpente qu´enlaça a folhagem,
Formoso  enroscava-se 
                                                                    O laço de fita

                                                      Meu ser, que voava nas luzes da festa,
                                                      Qual pássaro bravo,que os ares agita,
                                                       Eu vi de repente cativo, submisso
                                                       Rolar prisioneiro
                                                                   Num laço de fita.
 

                                                       E agora enleada na tênue cadeia
                                                       Debalde minh´alma se embate, se irrita....
                                                       O braço, que rompe  cadeias de ferro,
                                                       Não quebra teus  elos,
                                                                     O laço de fita!


         


        Meus Deus! As  falenas  têm asas de opala,
        Os astros se libram na plaga infinita,
        Os anjos repousam nas penas brilhantess....
        Mas tu...tens por asas
                  Um laço de fita.
           

       Há pouco voavas na célere valsa,
       Na valsa que anseia,que estua e palpita.
       Por que   é que tremeste? Não era, meus lábios.....
       Beijava-te apenas.....
                    Teu  laço de fita.


      Mai ai! findo o baile,despindo os odornos
      N´alcova onde a vela ciosa....crepita,
      Talvez da cadeia libertes as tranças
      Mas eu... fico preso
                 No laço de fita.


     Pois bem! Quando um dia na sombra do vale
     Abrirem-me a cova....formosa Pepita!
     Ao menos arranca meus louros da fronte,
     E dá-me por c´roa....
                 Teu laço de fita.










LAGRIMAS

Lagrimas me vêm aos olhos.Esforço-me para que não
rolem na face, e todos vejam a minha tristeza.
Não quero que saibam da minha decepção.
Antes, todos me viam feliz, rindo por todos os cantos.
A alegria transbordava nos meus gestos, pelo meu olhar,
nos meus muito sorrisos.Hoje, fujo de todos. Não quero
que me vejam, pois o sorriso fugiu dos meus lábios, a
tristeza inundou meu coração. A fonte da minha alegria
e foi. Você, que até pouco encantava minha vida, agora, é
a razão do meu desencanto. Por que você se foi e deixou
este grande vazio no meu peito? Uma frieza tão intensa que

congelou meu coração, endureceu o meu rosto
e emudeceu a minha voz. Sem forças para responder
gualquer coisa, ouvi
perplexa a dura sentença e contemplei atônica a sua ida.
Sou um vulto agora, a perambular pelos cantos, tentando
compreender a crueldade do seu gesto.


REFLEXÇÃO

A VIDA PRESENTE

Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida.

Olho meus companheiros, nutrem esperanças.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Vamos de mãos dadas.



Não serei cantor de uma mulher, de uma história,

não direi os suspiros ao anoitecer,

não fugirei para as ilhas,

nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria: o tempo presente,

os homens presentes, a vida presente.

UM SOPRO DE VIDA


Não aguento muito tempo um sentimento
porque passo a ter angústia
e meu pensamento fica ocupado com o sentimento
e eu me desvencilho dele de qualquer jeito
para ganhar de novo a minha liberdade de espírito.

Sou livre para sentir. Quero ser livre para raciocinar.
Aspiro a uma fusão de corpo e alma.

Não consigo compreender para os outros.

Só na desordem de meus sentimentos é que compreendo
para mim mesma e é tão incompreensível o que eu sinto
que me calo e medito sobre o nada.