quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A MULHER

A  Mulher sem amor é como o inverno,
Como a luz das antélias no deserto,
Como espinhos de isoladas fragas,
Como das ondas o caminho incerto.


                                                      A mulher sem amor é mancenilha
                                                      Das  ermas plagas sobre o chão crescido,
                                                      Basta-lhe  à sombra repousar um´hora
                                                      Que seu veneno nos corrompe a vida.



De eivado  seio no profundo abismo
Paixões  repousam n´um sudário eterno...
Não há canto nem flor, não há perfumes,
A mulher sem amor é como o inverno.


                                                      Su´alma é um alaúde desmontado
                                                      Onde embalde o cantor procura um hino:
                                                      Flor sem aromas, sensitiva morta.
                                                      Bate nas  ondas a vagar sem tino.

Mas, se um raio do sol tremendo deixa
Do céu nublado a condensada treva,
A mulher amorosa é mais que um anjo,
É  um sopro de Deus que tudo eleva!

                                                        
                                                     
                                                     Como o árabe ardente e sequioso    
                                                     Que a tenda deixa pela noite escura
                                                      E  vai no seio de orvalhado lírio
                                                      Lamber a medo a dívinal frescura,

O poeta a venera no silêncio,
Bebe o pranto celeste que ela chora,
Ouve-lhe os cantos, lhe perfuma  a vida...
-- A mulher amorosa é como a aurora.                                               















 

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LAGRIMAS

Lagrimas me vêm aos olhos.Esforço-me para que não
rolem na face, e todos vejam a minha tristeza.
Não quero que saibam da minha decepção.
Antes, todos me viam feliz, rindo por todos os cantos.
A alegria transbordava nos meus gestos, pelo meu olhar,
nos meus muito sorrisos.Hoje, fujo de todos. Não quero
que me vejam, pois o sorriso fugiu dos meus lábios, a
tristeza inundou meu coração. A fonte da minha alegria
e foi. Você, que até pouco encantava minha vida, agora, é
a razão do meu desencanto. Por que você se foi e deixou
este grande vazio no meu peito? Uma frieza tão intensa que

congelou meu coração, endureceu o meu rosto
e emudeceu a minha voz. Sem forças para responder
gualquer coisa, ouvi
perplexa a dura sentença e contemplei atônica a sua ida.
Sou um vulto agora, a perambular pelos cantos, tentando
compreender a crueldade do seu gesto.


REFLEXÇÃO

A VIDA PRESENTE

Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida.

Olho meus companheiros, nutrem esperanças.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Vamos de mãos dadas.



Não serei cantor de uma mulher, de uma história,

não direi os suspiros ao anoitecer,

não fugirei para as ilhas,

nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria: o tempo presente,

os homens presentes, a vida presente.

UM SOPRO DE VIDA


Não aguento muito tempo um sentimento
porque passo a ter angústia
e meu pensamento fica ocupado com o sentimento
e eu me desvencilho dele de qualquer jeito
para ganhar de novo a minha liberdade de espírito.

Sou livre para sentir. Quero ser livre para raciocinar.
Aspiro a uma fusão de corpo e alma.

Não consigo compreender para os outros.

Só na desordem de meus sentimentos é que compreendo
para mim mesma e é tão incompreensível o que eu sinto
que me calo e medito sobre o nada.