domingo, 22 de janeiro de 2012

OLHAR ESCURO

AQUI é LÁ

De tanto caminhar pela estrada, tão longe quanto o tempo que passou
Dos ruídos e das dores do pés, do ar puro e apagado
Do céu limpo e raro
Buscando alinhar o horizonte com o fim de cada ponto
Rebusquei um passado diferente e divisível
Das portas estreitas e raras, da altura do céu e do tamanho das areias

Porta grande ou pequena, do lado de fora se vê
No interior da alma se cala, as manias de você
Posso e quero, ver as folhas balançando pelos ventos
O Ar agitado e calmo, soprando as linhas do céu

Não sei se falo, não sei se grito
As vozes do silêncio, tão forte quando o pensamento
Não fosse o dia de sol, as nuvens aqui não estariam
Qual fosse o dia, qual fosse a Lua
A lua cheia ou vazia, míngua a todo tempo
Sempre a mesma lua

Andar pras trás ou correr de lado
Sem os caminhos para trilhar
O suor do cansaço, literalmente cansado
Retorno a cabeça ao travesseiro
Prossegue o dia inteiro, tentando achar no escuro
O que se acha no claro

Os livros debaixo das mãos
Semblantes fortes e ricos
Buscando achar as letras e os números esquecidos
A chave da entrada, quase não se vê
Os painéis e as cores chamam
E você não vê
E você na vem

O porta retrato na mesa
O telefone sem fio a chamar
A carteira de trabalho descansa sobre o cálculo renal
As folhas da árvore encadernadas na gaveta
Já não balançam mais
Fechadas com arame de plástico
No silêncio e na calada do tempo

Os pés das cadeiras já não sentem mais dor
A cerca viva não fala, nem sente
O email pela metade respondido
O telefone sem fio cada dia mais mudo
Não chama, e nem toca, foi cortado
O olhar que sempre me vê, cada dia mais vivo

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LAGRIMAS

Lagrimas me vêm aos olhos.Esforço-me para que não
rolem na face, e todos vejam a minha tristeza.
Não quero que saibam da minha decepção.
Antes, todos me viam feliz, rindo por todos os cantos.
A alegria transbordava nos meus gestos, pelo meu olhar,
nos meus muito sorrisos.Hoje, fujo de todos. Não quero
que me vejam, pois o sorriso fugiu dos meus lábios, a
tristeza inundou meu coração. A fonte da minha alegria
e foi. Você, que até pouco encantava minha vida, agora, é
a razão do meu desencanto. Por que você se foi e deixou
este grande vazio no meu peito? Uma frieza tão intensa que

congelou meu coração, endureceu o meu rosto
e emudeceu a minha voz. Sem forças para responder
gualquer coisa, ouvi
perplexa a dura sentença e contemplei atônica a sua ida.
Sou um vulto agora, a perambular pelos cantos, tentando
compreender a crueldade do seu gesto.


REFLEXÇÃO

A VIDA PRESENTE

Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida.

Olho meus companheiros, nutrem esperanças.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Vamos de mãos dadas.



Não serei cantor de uma mulher, de uma história,

não direi os suspiros ao anoitecer,

não fugirei para as ilhas,

nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria: o tempo presente,

os homens presentes, a vida presente.

UM SOPRO DE VIDA


Não aguento muito tempo um sentimento
porque passo a ter angústia
e meu pensamento fica ocupado com o sentimento
e eu me desvencilho dele de qualquer jeito
para ganhar de novo a minha liberdade de espírito.

Sou livre para sentir. Quero ser livre para raciocinar.
Aspiro a uma fusão de corpo e alma.

Não consigo compreender para os outros.

Só na desordem de meus sentimentos é que compreendo
para mim mesma e é tão incompreensível o que eu sinto
que me calo e medito sobre o nada.