quinta-feira, 7 de abril de 2011

CANÇÃO LÔGICA

                                                  CANÇÃO LÔGICA
Teus olhos são duas sílabas
Que me custam soletrar,
Teus lábios são dois vocábulos
                  Que não posso,
Que não posso interpretar.

                                                  Tua face são alvos símbolos
                                                  Que vejo sem traduzir,
                                                  São os teus braços capitulos
                                                               Que podem,
                                                  Que podem me confundir,

Teus cabelos são gramáticas
Das linguas todas do amor,
Teu coração - tabernáculo
            Muito próprio,
Próprio de ilustre cantor.

                                                O teu caprichoso espirito,
                                                Inimigo do dever,  
                                                É um terrível enigma
                                                             Ai! que nunca,
                                                Que nunca posso entender!

Teus pezinhos microscópicos,
Que nem rastejam no chão,
São leves traços estéticos
             Que transformam,
Que transformam a razão!

                                                 Os preceitos de Aristóteles
                                                  Neste momento quebrei !
                                                  Tendo tratado dos píncaros,
                                                               Oh ! nas bases,
                                                  Nas bases me demorei. 
 


                                                  

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LAGRIMAS

Lagrimas me vêm aos olhos.Esforço-me para que não
rolem na face, e todos vejam a minha tristeza.
Não quero que saibam da minha decepção.
Antes, todos me viam feliz, rindo por todos os cantos.
A alegria transbordava nos meus gestos, pelo meu olhar,
nos meus muito sorrisos.Hoje, fujo de todos. Não quero
que me vejam, pois o sorriso fugiu dos meus lábios, a
tristeza inundou meu coração. A fonte da minha alegria
e foi. Você, que até pouco encantava minha vida, agora, é
a razão do meu desencanto. Por que você se foi e deixou
este grande vazio no meu peito? Uma frieza tão intensa que

congelou meu coração, endureceu o meu rosto
e emudeceu a minha voz. Sem forças para responder
gualquer coisa, ouvi
perplexa a dura sentença e contemplei atônica a sua ida.
Sou um vulto agora, a perambular pelos cantos, tentando
compreender a crueldade do seu gesto.


REFLEXÇÃO

A VIDA PRESENTE

Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida.

Olho meus companheiros, nutrem esperanças.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Vamos de mãos dadas.



Não serei cantor de uma mulher, de uma história,

não direi os suspiros ao anoitecer,

não fugirei para as ilhas,

nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria: o tempo presente,

os homens presentes, a vida presente.

UM SOPRO DE VIDA


Não aguento muito tempo um sentimento
porque passo a ter angústia
e meu pensamento fica ocupado com o sentimento
e eu me desvencilho dele de qualquer jeito
para ganhar de novo a minha liberdade de espírito.

Sou livre para sentir. Quero ser livre para raciocinar.
Aspiro a uma fusão de corpo e alma.

Não consigo compreender para os outros.

Só na desordem de meus sentimentos é que compreendo
para mim mesma e é tão incompreensível o que eu sinto
que me calo e medito sobre o nada.