Velha Canção
( Voltas )
Não sou desses gênios duros
Inimigos do prazer
Que julgam que a humanidade
Só nasceu para gemer.
Gosto de queimar incenso
Sobre as aras alegrias,
Jungo que ser louco a tempo
Também é sabedoria.
Tudo no mundo é vaidade,
Disse o grande Salomão...
Ele pensou talvez isto
Em noite de indigestão...
Venham raivosos guerreiros
Abater espessos muros,
Briguem as leis, os legistas.
Não sou desses gênios duros.
Quero festins, onde as belas
Me façam enloquecer:;
Desprezo os ilustres mochos
Inimigos do prazer.
Prosperidade na terra
É sonho que pouco dura,
Tudo definha e fenece
Na lousa da sepultura.
Canto as mulheres e as musas,
As aventuras, o prazer,
A vida é triste mentira,
Gozarei até morrer.
Que importa que as turbas loucas
Me cubram de maldições?
Pobres loucos! Não concebem
De um festim as seduções!
Meditem os estadistas
Sobre casos mal seguros,
Trato de coisas mais leves,
Não sou desses gênios duros.
Discurse o padre na igreja
Batendo uma seita esquiva,
E volta à casa alta noite,
Tendo jantado a saliva!
Eu por mim penso que o mundo
Por pouco vai-se perder,
Por causa de tantos grulhas
Inimigos do prazer.
Só me falam nos antigos
Abrão, Isaac, Jacó...
Eles tinham cem mulheres!
E eu?...Eu tenho uma só!
É verdade que essa mesmo
Me tem dado o que fazer,
Mas nem por isso tornei-me
Inimigo do prazer.
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LAGRIMAS
Lagrimas me vêm aos olhos.Esforço-me para que não
rolem na face, e todos vejam a minha tristeza.
Não quero que saibam da minha decepção.
Antes, todos me viam feliz, rindo por todos os cantos.
A alegria transbordava nos meus gestos, pelo meu olhar,
nos meus muito sorrisos.Hoje, fujo de todos. Não quero
que me vejam, pois o sorriso fugiu dos meus lábios, a
tristeza inundou meu coração. A fonte da minha alegria
e foi. Você, que até pouco encantava minha vida, agora, é
a razão do meu desencanto. Por que você se foi e deixou
este grande vazio no meu peito? Uma frieza tão intensa que
congelou meu coração, endureceu o meu rosto
e emudeceu a minha voz. Sem forças para responder
gualquer coisa, ouvi
perplexa a dura sentença e contemplei atônica a sua ida.
Sou um vulto agora, a perambular pelos cantos, tentando
compreender a crueldade do seu gesto.
rolem na face, e todos vejam a minha tristeza.
Não quero que saibam da minha decepção.
Antes, todos me viam feliz, rindo por todos os cantos.
A alegria transbordava nos meus gestos, pelo meu olhar,
nos meus muito sorrisos.Hoje, fujo de todos. Não quero
que me vejam, pois o sorriso fugiu dos meus lábios, a
tristeza inundou meu coração. A fonte da minha alegria
e foi. Você, que até pouco encantava minha vida, agora, é
a razão do meu desencanto. Por que você se foi e deixou
este grande vazio no meu peito? Uma frieza tão intensa que
congelou meu coração, endureceu o meu rosto
e emudeceu a minha voz. Sem forças para responder
gualquer coisa, ouvi
perplexa a dura sentença e contemplei atônica a sua ida.
Sou um vulto agora, a perambular pelos cantos, tentando
compreender a crueldade do seu gesto.
REFLEXÇÃO
A VIDA PRESENTE
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida.
Olho meus companheiros, nutrem esperanças.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Vamos de mãos dadas.
Não serei cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer,
não fugirei para as ilhas,
nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria: o tempo presente,
os homens presentes, a vida presente.
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida.
Olho meus companheiros, nutrem esperanças.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Vamos de mãos dadas.
Não serei cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer,
não fugirei para as ilhas,
nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria: o tempo presente,
os homens presentes, a vida presente.
UM SOPRO DE VIDA
Não aguento muito tempo um sentimento
porque passo a ter angústia
e meu pensamento fica ocupado com o sentimento
e eu me desvencilho dele de qualquer jeito
para ganhar de novo a minha liberdade de espírito.
Sou livre para sentir. Quero ser livre para raciocinar.
Aspiro a uma fusão de corpo e alma.
Não consigo compreender para os outros.
Só na desordem de meus sentimentos é que compreendo
para mim mesma e é tão incompreensível o que eu sinto
que me calo e medito sobre o nada.

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